João Almeida e Silva
SOU FUJIMOTO
FUTURO DOMÉSTICO PRIMITIVO
Inauguração | 21 Fevereiro | 18.30
Até 26 Maio



João Almeida e Silva (Tondela, 1980), arquitecto pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (2005) e doutorando na mesma instituição (desde 2013), desenvolve tese com o tema “Publicidade revista 1946-1988: interferências entre publicidade e arquitectura”. Colabora, desde 2003, com diversos ateliers de arquitectura, destacando-se Balonas & Menano (Porto, 2007-2012) e Sou Fujimoto Architects (Tóquio, 2013) e exerce arquitectura em regime liberal desde 2005, sendo autor e co-autor de diversos projectos e obras.
Em 2013, foi bolseiro de curta duração da Fundação Oriente com o projecto Futuro Doméstico Primitivo que visa, essencialmente, o estudo do doméstico japonês através do trabalho do arquitecto japonês Sou Fujimoto, caso de estudo e mote para um conjunto de iniciativas subsequentes.Neste sentido, inaugura a 21 de Fevereiro a exposição resultado deste trabalho.




Sendo um dos mais influentes arquitectos japoneses da sua geração, Sou Fujimoto (Hokkaido, 1971) procura reconduzir-nos às origens do espaço construído propondo-nos uma arquitectura inspirada na ideia de floresta. Estabelecendo uma analogia entre esta e a cidade de Tóquio, onde trabalha, aponta a experiência, a diversidade e o conforto como elementos de ligação entre estas duas realidades, sendo que noções daqui decorrentes como complexidade (entre ordem e caos), coexistência (de diferentes elementos) e externalidade (como possibilidade de descoberta) informam projectos que oscilam entre o “micro espaço doméstico” e a “mega estrutura urbana”. Edifícios de assinalável rigor geométrico, espacial e construtivo diluem a percepção da escala dos objectos, dos seus limites e respectivos usos, procurando conformar, assim, uma arquitectura ligada à história primordial da humanidade, definindo um futuro primitivo. Explorando gradações onde (no Ocidente) encontramos tradicionalmente oposições (transparência/opacidade,interior/exterior, luz/sombra, etc.), este enquadramento conceptual é particularmente operativo nos programas de âmbito residencial, onde a casa se assume simultaneamente elemento singular (árvore-casa) e parte interactiva deum todo plural (floresta-cidade). Ao investigar a relação mais íntima do indivíduo com o espaço que habita e consequentes relações deste com o contexto, as construções daqui resultantes potenciam novas noções de natureza e outras formas de ambiente construído (a casa como cidade e a cidade como casa), tornando o habitante em elemento orgânico desta concepção do ambiente doméstico. 





Partindo de uma selecção de casas projectadas e construídas em território nipónico por Fujimoto, aqui apresentadas através de vídeos, fotografias, maquetes e outros elementos, Futuro Doméstico Primitivo incide sobre a concepção do habitar por si explorada – com especial enfoque no modo flexível como este actua através das diversas escalas, afirmando a pluralidade da actividade humana e a diversidade espacial daí decorrente – e constitui uma oportunidade única de divulgar uma perspectiva específica do privado japonês ao público português através da demonstração do espírito heurístico implícito na obra deste singular arquitecto.



 

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